A Necessidade da MetafĂsica
A razão humana tem este destino singular, numa parte dos seus conhecimentos, de sucumbir ao peso de certas questÔes que não pode evitar. Com efeito, tais questÔes impÔem-se à razão devido à sua mesma natureza, mas ela não pode responder-lhes porque de todo ultrapassam a sua capacidade.
NĂŁo devemos contar que o espĂrito humano renuncie um dia por completo Ă s indagaçÔes metafĂsicas: seria o mesmo que aguardar que, em vez de respirar sempre um ar viciado, suspendĂȘssemos um belo dia a respiração. Por conseguinte, haverĂĄ sempre no mundo, ou, melhor, em todo homem, sobretudo se ele reflecte, uma metafĂsica, que, na ausĂȘncia de uma norma comum, cada qual talharĂĄ a seu grado; ora o que atĂ© aqui se tem denominado metafĂsica nĂŁo pode satisfazer nenhum espĂrito reflectido, mas renunciar a ela por completo Ă© tambĂ©m impossĂvel; Ă© necessĂĄrio, pois, empreender enfim uma crĂtica da razĂŁo pura em si, ou, se alguma existe, perscrutĂĄ-la e examinĂĄ-la em conjunto; na verdade, nĂŁo hĂĄ outro meio de satisfazer esta exigĂȘncia imperiosa, que Ă© coisa muito diferente de um simples desejo de saber.
Textos sobre AusĂȘncia de Immanuel Kant
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