A Acção Edifica-nos
Os nossos actos transformam-nos; em cada um dos nossos actos se exercem certas forças – enquanto que noutros, nĂŁo – forças essas que assim sĂŁo transitoriamente ignoradas; e sempre uma paixĂŁo se afirma em detrimento doutras paixĂ”es, Ă s quais retira forças. Os nossos actos marcadamente habituais acabam por formar em redor de nĂłs como que um edifĂcio sĂłlido; açambarcam as nossas forças de tal modo, que tornam difĂcil um desvio de intençÔes.
Acontece também que uma abstenção habitual acaba por transformar o homem. Até pela cara se consegue adivinhar quem é um homem que se tem vencido a si próprio diariamente, ou quem é um homem que se entrega com passividade ao dia a dia.
A primeira consequĂȘncia da acção, Ă© ser ela a edificar-nos, atĂ© fisicamente.
Textos sobre Cara de Friedrich Nietzsche
2 resultadosA Doutrina do Objectivo da Vida
Quer considere os homens com bondade ou malevolĂȘncia, encontro-os sempre, a todos e a cada um em particular, empenhados na mesma tarefa: tornar-se Ășteis Ă conservação da espĂ©cie. E isto nĂŁo por amor a essa espĂ©cie, mas simplesmente porque nĂŁo hĂĄ neles nada mais antigo, mais poderoso, mais impiedoso e mais invencĂvel do que esse instinto… porque esse instinto Ă© propriamente a essĂȘncia da nossa espĂ©cie, do nosso rebanho.
Se bem que se chegue assaz rapidamente, com a miopia ordinĂĄria, a separar a cinco passos os nossos semelhantes em Ășteis e em prejudiciais, em seres bons e maus, quando fazemos o nosso balanço final e reflectimos sobre o conjunto acabamos por desconfiar destas depuraçÔes, destas distinçÔes, e acabamos por renunciar a elas.
Talvez o homem mais prejudicial seja ainda, no fim de contas, o mais Ăștil Ă conservação da espĂ©cie; porque sustenta em si mesmo, ou nos outros, com a sua acção, instintos sem os quais a humanidade estaria hĂĄ muito tempo mole e corrompida. O Ăłdio, o prazer de prejudicar, a sede de tomar e de dominar, e, de uma maneira geral, tudo aquilo a que se dĂĄ o nome de mal, nĂŁo passam no fundo de um dos elementos da espantosa economia da conservação da espĂ©cie;