Textos sobre Comida de SĂ©neca

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Textos de comida de SĂ©neca. Leia este e outros textos de SĂ©neca em Poetris.

As Verdadeiras Necessidades nĂŁo TĂȘm Gostos

Nenhum conselho me parece mais Ăștil para te dar do que este (e que nunca Ă© demais repetir!): limita sempre tudo aos desejos naturais que tu podes satisfazer com pouca ou nenhuma despesa, evitando, contudo, confundir vĂ­cios com desejos. Porventura te interessa saber em que tipo de mesa, em que baixela de prata te Ă© servida a refeição, ou se os escravos te servem com bom ritmo e solicitude? A natureza sĂł necessita de uma coisa: a comida. (…) A fome dispensa pretensĂ”es, apenas reclama ser saciada, sem cuidar grandemente com quĂȘ. O triste prazer da gula vive atormentado na Ăąnsia de continuar com vontade de comer mesmo quando saciado, de buscar o modo como atulhar, e nĂŁo apenas encher o estĂŽmago, de achar maneira de excitar a sede extinta logo Ă  primeira golada! Tem, por isso toda a razĂŁo HorĂĄcio quando diz que a sede nĂŁo se interessa pela espĂ©cie de copo ou pela elegĂąncia da mĂŁo que o serve.
Se achas que tĂȘm para ti muita importĂąncia os cabelos encaracolados do escravo, ou a transparĂȘncia do copo que te pĂ”e Ă  frente, Ă© porque nĂŁo estĂĄs com sede. Entre outros benefĂ­cios que devemos Ă  natureza conta-se este,

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Para um Grande EspĂ­rito Nada hĂĄ que Seja Grande

Evitai tudo quanto agrade ao vulgo, tudo quanto o acaso proporciona; diante de qualquer bem fortuito parai com desconfiança e receio: tambĂ©m a caça ou o peixe se deixa enganar por esperanças falacciosas. Julgais que se trata de benesses da sorte? SĂŁo armadilhas! Quem quer que deseje passar a vida em segurança evite quanto possa estes benefĂ­cios escorregadios nos quais, pobres de nĂłs, atĂ© nisto nos enganamos: ao julgar possuĂ­-los, deixamo-nos apanhar! Esta corrida leva-nos para o abismo; a Ășnica saĂ­da para uma vida «elevada», Ă© a queda!
E mais: nem sequer poderemos parar quando a fortuna começa a desviar-nos da rota certa, nem ao menos ir a pique, cair instantaneamente: não, a fortuna não nos faz tropeçar, derruba-nos, esmaga-nos.
Prossegui, pois, um estilo de vida correcto e saudĂĄvel, comprazendo o corpo apenas na medida do indispensĂĄvel Ă  boa saĂșde. Mas hĂĄ que tratĂĄ-lo com dureza, para ele obedecer sem custo ao espĂ­rito: limite-se a comida a matar a fome, a bebida a extinguir a sede, a roupa a afastar o frio, a casa a servir de abrigo contra as intempĂ©ries. Que a habitação seja feita de ramos ou de pedras coloridas importadas de longe, Ă© pormenor sem interesse: ficai sabendo que para abrigar um homem tĂŁo bom Ă© o colmo como o ouro!

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Exercitar a Vontade Naquilo que Podemos Ter de Melhor

Ponho-me a pensar na quantidade dos que exercitam o fĂ­sico, e na escassez dos que ginasticam a inteligĂȘncia; na afluĂȘncia que tĂȘm os gratuitos espectĂĄculos desportivos, e na ausĂȘncia de pĂșblico durante as manifestaçÔes culturais; enfim, na debilidade mental desses atletas de quem admiramos as espĂĄduas musculadas. E penso sobreutdo nisto: se o corpo pode, Ă  força de treino, atingir um grau de resistĂȘncia tal que permite ao atleta suportar a um tempo os murros e pontapĂ©s de vĂĄrios adversĂĄrios, que o torna apto a aguentar um dia inteiro sob um sol abrasador, numa arena escaldante, todo coberto de sangue – nĂŁo serĂĄ mais fĂĄcil ainda dar Ă  alma uma tal robustez que a torne capaz de resistir sem ceder aos golpes da fortuna, capaz de erguer-se de novo ainda que derrubada e espezinhada?! De facto, enquanto o corpo, para se tornar vigoroso, depende de muitos factores materiais, a alma encontra em si mesma tudo quanto necessita para se robustecer, alimentar, exercitar. Os atletas precisam de grande quantidade de comida e bebida, de muitos unguentos, sobretudo de um treino intensivo: tu, para atingires a virtude, nĂŁo precisarĂĄs de dispender um tostĂŁo em equipamento! Aquilo que pode fazer de ti um homem de bem existe dentro de ti.

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