O DeclĂnio da Natalidade
A mudança de relações entre pais e filhos Ă© um exemplo tĂpico da expansĂŁo geral da democracia. Os pais já nĂŁo estĂŁo muito seguros dos seus direitos sobre os filhos, os filhos já nĂŁo sentem que devem respeito aos pais. A virtude da obediĂŞncia, que era outrora exigida sem discussĂŁo, passou de moda e com certa razĂŁo.
A psicanálise aterrorizou os pais cultos com o medo de causarem, sem querer, mal aos filhos. Se os beijam, podem provocar o complexo de Édipo; se nĂŁo os beijam, podem provocar crises de ciĂşmes. Se os repreeendem em qualquer coisa, podem fazer nascer neles o sentimento do pecado; se nĂŁo o fazem, os filhos adquirem hábitos que os pais consideram indesejáveis. Quando vĂŞem as crianças a chupar no polegar, tiram disso toda a espĂ©cie de conclusões terrĂveis, mas nĂŁo sabem o que fazer para o evitar. O uso dos direitos dos pais que era antigamente uma manifestação triunfante da autoridade, tornou-se tĂmido, receoso e cheio de escrĂşpulos.Perderam-se as antigas alegrias simples e isto Ă© tanto mais grave quanto Ă© certo que, devido Ă nova liberdade das mulheres solteiras, a mĂŁe tem de fazer muito mais sacrifĂcios do que antigamente ao optar pela maternidade.
Textos sobre Direito de Bertrand Russell
2 resultadosO Governo Mundial
Pode evitar-se a guerra por algum tempo por meio de paliativos, expedientes ou uma diplomacia subtil, mas tudo isso Ă© precário, e enquanto durar o nosso sistema polĂtico actual, pode ser considerado como quase certo que grandes conflitos hĂŁo-de surgir de vez em quando. Isso acontecerá inevitavelmente enquanto houver diferentes Esados soberanos, cada um com as suas forças armadas e juiz supremo dos seus prĂłprios direitos em qualquer disputa. Há somente um meio de o mundo poder libertar-se da guerra, Ă© a criação de uma autoridade mundial Ăşnica, que possua o monopĂłlio de todas as armas mais perigosas.
Para que um governo mundial pudesse evitar graves conflitos, seria indispensável possuir um mĂnimo de poderes. Em primeiro lugar precisava de ter o monopĂłlio de todas as principais armas de guerra e as forças armadas necessárias para o seu emprego. Devia tambĂ©m tomar as precauções indispensáveis, quaisquer que fossem, para assegurar, em todas as circunstâncias, a lealdade dessas forças ao governo central.
O governo mundial tinha de formular, portanto, certas regras relativas ao emprego das suas forças armadas. A mais importante determinaria que, em qualquer conflito entre dois Estados. cada um tinha de se submeter às decisões da autoridade mundial.