O Sustentáculo do Amor
A paz Ă© algo que nenhum homem pode dar a outro. Um dos fins mais importantes para quem arrisca ser quem Ă© será o de construir a sua prĂłpria paz. Esta resulta de um trabalho duro de equilĂbrio das vontades, de uma harmonização árdua das diferentes dimensões interiores, como o pensar e o sentir; Ă© um estado ágil e dinâmico que, ao limite, permite ultrapassar e vencer qualquer adversidade.
A paz não é o estado de quem vive uma ausência de conflitos, é o resultado da conciliação corajosa das diferentes forças que, dentro e fora de cada homem, tentam prevalecer sobre as demais, menosprezando-se mutuamente.Muitos são os que julgam ter encontrado a paz quando se livram do sonho do amor. Estão enganados, o caminho até à felicidade é ainda longo para quem cansado assim se contenta, repousando de uma luta que nem chegou a começar.
A paz é um ponto de passagem de quem ruma à plenitude da vida. A paz é o ponto de partida para o amor, que por sua vez lança o homem para a felicidade. A paz é o ponto de chegada dos que sofrem as dores mais profundas.
A verdade Ă© tranquila.
Textos sobre EquilĂbrio de JosĂ© LuĂs Nunes Martins
5 resultadosA Chama da Vida e o Fogo das Paixões
Nem sempre estar apaixonado é bom. A maior parte das paixões tomam conta da vontade e assumem o controlo do sentir e do pensar. Prometem a maior das libertações, mas escravizam quem desiste de si mesmo e a elas se submete.
A paixĂŁo Ă© sofrimento, um furor que Ă© o oposto da paz e do contentamento. Um vazio fulminante capaz das maiores acrobacias para se satisfazer. Mas que, como nunca se sacia, acaba por se consumir, por se destruir a si mesmo. Para ter paz precisamos de fazer esta guerra, na conquista do mais exigente de todos os equilĂbrios: entre a monotonia de nada arriscar e a imprudĂŞncia de entregar tudo sem uma vontade prĂłpria profunda. É essencial que saibamos desafiarmo-nos, por vezes, a um profundo desequilĂbrio momentâneo. Afinal, quem nunca ousa está perdido, para sempre.
Há boas paixões. SĂŁo as que trabalham como um fermento. De forma pacata, pacĂfica e paciente. Animam, mas nĂŁo dominam. Orientam, mas nĂŁo decidem. Iluminam, mas nĂŁo cegam.Quase ninguĂ©m faz ideia da capacidade que cada um de nĂłs tem para suportar e vencer grandes sofrimentos…
Por paixões comuns, há quem perca a cabeça, o coração e a alma.
O Dom de Deixar Ir
É preciso aprender a viver. A qualidade da nossa existĂŞncia depende de um equilĂbrio fundamental na nossa relação com o mundo: apego e desapego. Nesta vida, a ponderação, a proporção e a subtileza sĂŁo sempre melhores que qualquer arrebatamento. Mas o essencial Ă© aprender que a existĂŞncia Ă© feita de dádivas e perdas.
Eis porque quem reza deve pedir e agradecer: tudo Ă©, na verdade, um dom. Tudo passa… importa pois prepararmo-nos para a perda, ainda que tantas vezes nĂŁo seja senĂŁo temporária… Alegrias e dores. SĂł há felicidade num coração onde habita a sabedoria e paciĂŞncia dos tempos e dos momentos, a paz de quem sabe que sĂŁo muitos os porquĂŞs e para quĂŞs que ultrapassam a capacidade humana de compreender.
Na vida, tudo se recebe e tudo se perde.
Amar Ă© um apego natural mas tambĂ©m obriga a que deixemos o outro ser quem Ă©, abrindo mĂŁo e permitindo-lhe que parta, ou que fique, sem desejar outra coisa senĂŁo que seja radicalmente livre. Aprendendo que há muito mais valor no ato de quem decide ficar do que naquele de quem sĂł está por nĂŁo poder partir.Nada verdadeiramente nos pertence. O sublime do amor está aĂ,
A Minha FamĂlia Ă© a Minha Casa
A solidĂŁo absoluta Ă© nĂŁo ter ninguĂ©m a quem dizer um simples: “tenho vontade de chorar”. NĂŁo precisamos de muito para viver bem – para ser feliz basta uma famĂlia e pouco mais.
A famĂlia Ă© a casa e a paz. O refĂşgio onde uma vontade de chorar nĂŁo Ă© motivo de julgamento, apenas e sĂł uma necessidade sĂşbita de… famĂlia. De um equilĂbrio para o qual o outro Ă© essencial… assim tambĂ©m se passa com a vontade de sorrir que, em famĂlia, se contagia apenas pelo olhar.
Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais difĂcil encontrar gente capaz de ser famĂlia. Os egoĂsmos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se nĂŁo houvesse espaço para o amor. Dizem que amar Ă© arriscado, que Ă© coisa de loucos…
Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de nĂłs Ă© uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos tambĂ©m está, de alguma forma, connosco. O amor Ă© o que existe entre nĂłs e nos enlaça os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar Ă© um sinal de que há algo em mim que Ă© maior do que eu…
O que Ă© Dar a Vida?
Dar a vida Ă© amar. Abdicar de si… em favor de um outro. Vencer egoĂsmos e medos com a convicção de que dar-se nunca Ă© um excesso nem uma cobardia.
Dar a vida é perder-se para se encontrar. Entregar-se para se receber… É aparecer, sair de si até ao ponto de se poder ver bem diante dos próprios olhos.
Dar a vida é vivê-la tal como ela é na essência: generosa! Ser mais vida na vida de outro alguém. Cuidar da existência do outro com a sua… dar a vida é ser outro. Melhor. Muito.
Dar a vida Ă© ser um sorriso apenas com um olhar. É oferecer lágrimas a quem já perdeu as suas. Ser um silĂŞncio onde há paz… e uma melodia que revela que o melhor do mundo repousa em nĂłs… Ă espera de nĂłs.Dar a vida Ă© reconhecer a beleza que há neste mundo. No outro e no mundo do outro. É contribuir para o equilĂbrio e ficar em harmonia… com tudo e com cada coisa, compreendendo que a verdadeira alegria Ă© a coisa mais sĂ©ria da vida.
Dar a vida Ă© guardar-se para o momento oportuno,