Textos sobre FrequĂȘncia de Michel de Montaigne

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Textos de frequĂȘncia de Michel de Montaigne. Leia este e outros textos de Michel de Montaigne em Poetris.

Os Parceiros mais Vigorosos

A experiĂȘncia mostra que os homens rĂșsticos, de espĂ­rito mais grosseiro, dĂŁo parceiros sexuais mais vigorosos e desejĂĄveis; deitar-se com um carroceiro Ă© com frequĂȘncia mais gratificante que deitar-se com um gentil-homem.

Quem Aprendeu a Morrer Desaprendeu de Servir

Os homens vĂŁo, vĂȘm, andam, dançam, e nenhuma notĂ­cia de morte. Tudo isso Ă© muito bonito. Mas, tambĂ©m quando ela chega, ou para eles, ou para as suas mulheres, filhos e amigos, surpreendendo-os imprevistamente e sem defesa, que tormentos, que gritos, que dor e que desespero os abatem! JĂĄ vistes algum dia algo tĂŁo rebaixado, tĂŁo mudado, tĂŁo confuso? É preciso preparar-se mais cedo para ela; e essa despreocupação de animal, caso pudesse instalar-se na cabeça de um homem inteligente, o que considero inteiramente impossĂ­vel, vende-nos caro demais a sua mercadoria. Se fosse um inimigo que pudĂ©ssemos evitar, eu aconselharia a adoptar as armas da cobardia. Mas, como isso nĂŁo Ă© possĂ­vel, como ele vos alcança fugitivo e poltrĂŁo tanto quanto corajoso, De facto ele persegue o cobarde que lhe foge, e nĂŁo poupa os jarretes e o dorso poltrĂŁo de uma juventude sem coragem (HorĂĄcio), e que nenhuma ilusĂŁo de couraça vos encobre, InĂștil esconder-se prudentemente sob o ferro e o bronze: a morte saberĂĄ fazer-se expĂŽr Ă  cabeça que se esconde (PropĂ©rcio), aprendamos a enfrentĂĄ-lo de pĂ© firme e a combatĂȘ-lo. E, para começar a roubar-lhe a sua maior vantagem contra nĂłs, tomemos um caminho totalmente contrĂĄrio ao habitual.

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Viver no Escuro ou na Sombra

O objecto que amamos parece-nos mais belo do que Ă©, por isso vemos com frequĂȘncia mulheres feias e mal-feitas serem adoradas e desfrutarem de grandes honras (LucrĂ©cio), e mais feio aquele pelo qual temos aversĂŁo. Para um homem contrariado e aflito a claridade do dia parece escurecida e tenebrosa. Os nossos sentidos sĂŁo nĂŁo apenas alterados mas amiĂșde totalmente embrutecidos pelas paixĂ”es da alma. Quantas coisas vemos, que nĂŁo perceberemos se tivermos o nosso espĂ­rito ocupado alhures? Mesmo com coisas bem visĂ­veis, reconhecerĂĄs que, se nĂŁo lhes aplicares o espĂ­rito, Ă© como se desde sempre elas estivessem ausentes ou muito distantes (LucrĂ©cio). Parece que a alma traz para o interior e transvia os poderes dos sentidos. Dessa maneira, tanto o interior como o exterior do homem sĂŁo cheios de fraqueza e de mentira.
Os que compararam a nossa vida com um sonho tiveram razão, talvez, mais do que pensavam. Quando sonhamos, a nossa alma vive, age, exerce todas as suas faculdades, nem mais nem menos do que quando estå em vigília; porém de modo mais frouxo e obscuro, decerto não tanto que a diferença seja como da noite para uma viva claridade, mas sim como da noite para a sombra: lå ela dorme,

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