A Adversidade Ă© Essencial
PorquĂŞ espantar-nos que possa ser vantajoso, por vezes mesmo desejável, expor-nos ao fogo, Ă s feridas, Ă morte, Ă prisĂŁo? Para o homem esbanjador a austeridade Ă© um castigo, para o preguiçoso o trabalho equivale a um suplĂcio; ao efeminado toda a labuta causa dĂł, para o indolente qualquer esforço Ă© uma tortura: pela mesma ordem de ideias toda a actividade de que nos sentimos incapazes se nos afigura dura e intolerável, esquecendo-nos de que para muitos Ă© uma autĂŞntica tortura passar sem vinho ou acordar de madrugada! Qualquer destas situações nĂŁo Ă© difĂcil por natureza, os homens Ă© que sĂŁo moles e efeminados!
Para formar juĂzos de valor sobre as grandes questões há que ter uma grande alma, pois de outro modo atribuiremos Ă s coisas um defeito que Ă© apenas nosso, tal como objectos perfeitamente direitos nos parecem tortos e partidos ao meio quando os vemos metidos dentro de água. O que interessa nĂŁo Ă© o que vemos, mas o modo como o vemos; e no geral o espĂrito humano mostra-se cego para a verdade!
Indica-me um jovem ainda incorrupto e de espĂrito alerta, e ele nĂŁo hesitará em julgar mais afortunado o homem capaz de suportar todo o peso da adversidade sem dobrar os ombros,
Textos sobre Indolentes de SĂ©neca
2 resultadosA Importância dos PrincĂpios
Entre os homens, alguns há que possuem naturalmente um excelente carácter e que assimilam sem necessidade de longa instrução os princĂpios tradicionais, que abraçam a via da moralidade desde o primeiro momento em que dela ouvem falar; do meio destes Ă© que surgem aqueles gĂ©nios que concitam em si toda a gama de virtudes, que produzem eles mesmos virtudes. Mas aos outros, Ă queles que tĂŞm o espĂrito embotado, obtuso ou dominado por tradições errĂłneas, a esses há que raspar a ferrugem que tĂŞm na alma. Mais ainda: se transmitirmos os preceitos básicos da filosofia aos primeiros, rapidamente eles atingirĂŁo o mais alto nĂvel, pois estĂŁo naturalmente inclinados ao bem; se o fizermos aos outros, os de natureza mais fraca, ajudá-los-emos a libertarem-se das suas convicções erradas. Por aqui podes ver como sĂŁo necessários os princĂpios básicos. Temos instintos em nĂłs que nos fazem indolentes ante certas coisas, e atrevidos perante outras; ora, nem este atrevimento nem aquela indolĂŞncia podem ser eliminados se primeiro nĂŁo removermos as respectivas causas, ou seja, a admiração infundada ou o receio infundado.
Enquanto tivermos em nĂłs esses instintos, bem poderás dizer: “estes sĂŁo os teus deveres para com teu pai, ou para com os filhos,