Eu Ela e a Escrita
Eu ela e a escrita existimos desde o princĂpio. A escrita forma-se em mim, passa por ela e volta Ă minha pele num jogo sensual e Ăntimo. É um ser maleável aos gestos que executamos, vive e morre com os nossos impulsos. Quando se ausenta deixa sinais. Faz-nos confidĂŞncias da sua vida errante, elabora sentimentos que nĂŁo esperávamos que tivesse quando junta ao nosso, o seu instinto criativo. Assim, utilizo agora palavras que nunca pensei vir a escrever. Aceito-as porque as sei da espĂ©cie da personagem que habita connosco, conivente com os erros que cometemos.
Quando adolescente, passava o tempo a ler o dicionário, apercebendo-me da corrosĂŁo de algumas palavras, do seu poder destrutivo. Noutras havia sombra e um peso monstruoso. E as que ao tempo foram luminosas, irradiavam um brilho que se colou aos meus dedos. Eu gastava os dias a limpar-me dessa luz atĂ© nĂŁo haver em mim resĂduos de leitura. Descobria o esquecimento, onde o poema veio a ser abismo, outra vida onde o sorriso da morte teve muita importância. Amei a imperfeição do ser humano. Revisitei a infância e aquilo que em nĂłs Ă© real. NĂŁo soube prescindir da beleza.
Textos sobre Leitura de Isabel de Sá
1 resultado Textos de leitura de Isabel de Sá. Leia este e outros textos de Isabel de Sá em Poetris.