Textos sobre Lógica de Antoine de Saint-Exupéry

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Textos de lógica de Antoine de Saint-Exupéry. Leia este e outros textos de Antoine de Saint-Exupéry em Poetris.

De que Serve Discutir as Ideologias?

Para compreendermos o homem e as suas necessidades, para o conhecermos naquilo que ele tem de essencial, nĂŁo precisamos de pĂŽr em confronto as evidĂȘncias das nossas verdades. Sim, tĂȘm razĂŁo. TĂȘm todos razĂŁo. A lĂłgica demonstra tudo. Tem razĂŁo aquele que rejeita que todas as desgraças do mundo recaiam sobre os corcundas. Se declararmos guerra aos corcundas, aprenderemos rapidamente a exaltar-nos. Vingaremos os crimes dos corcundas. E, sem dĂșvida, tambĂ©m os corcundas cometem crimes.
A fim de tentarmos separar este essencial, é necessårio esquecermos por um instante as divisÔes que, uma vez admitidas, implicam todo um Corão de verdades inabalåveis e o inerente fanatismo. Podemos classificar os homens em homens de direita e em homens de esquerda, em corcundas e não corcundas, em fascistas e em democratas, e estas distinçÔes são inconteståveis.
Mas sabem que a verdade Ă© aquilo que simplifica o mundo, e nĂŁo aquilo que cria o caos. A verdade Ă© a linguagem que desencadeia o universal.
Newton não «descobriu» uma lei hå muito disfarçada de solução de enigma, Newton efectuou uma operação criativa. Instituiu uma linguagem de homem capaz de exprimir simultaneamente a queda da maçã num prado ou a ascensão do sol.

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Não Transformes as Tuas ConvicçÔes em Pedras

Quando as verdades sĂŁo evidentes e absolutamente contraditĂłrias, o que tens a fazer Ă© mudar de linguagem. A lĂłgica nĂŁo serve para te ajudar a passares de um andar para o outro. Tu nĂŁo prevĂȘs o recolhimento a partir das pedras. E, se falares do recolhimento com a linguagem das pedras, vais-te abaixo. Precisas de inventar essa palavra nova para dares conta de uma certa arquitectura das tuas pedras. Porque nasceu um ser novo, nĂŁo divisĂ­vel, nem explicĂĄvel; porque explicar Ă© demonstrar. E tu baptiza-lo entĂŁo com um nome.
Como Ă© que tu havias de raciocinar sobre o recolhimento? Como Ă© que havias de raciocinar sobre o amor? Como Ă© que havias de raciocinar sobre a propriedade? NĂŁo se trata de objectos, mas de deuses.