Viver na Luz ou no Reflexo da Vida
Todos aqueles que a fortuna pĂ´s em evidĂŞncia, que se distinguiram como agentes e partĂcipes de um poder alheio, somente gozaram de reputação e viram as suas casas cheias de visitantes enquanto em posição de destaque: assim que desapareceram, rapidamente foram esquecidos. Em contrapartida, o apreço que se dá aos homens de gĂ©nio cresce sempre; e nĂŁo sĂŁo apenas eles que recebem homenagem, mas tudo quanto está ligado Ă sua memĂłria.
(…) Tu atribuis uma certa grandeza ao tipo de vida que deverás abandonar; embora tenhas uma antevisĂŁo da vida sábia e tranquila a que irás aceder, o brilho aparente da vida mundana continua a atrair-te, como se o facto de abandonares a sociedade equivalesse a caĂres numa vida de obscuridade completa. Estás enganado, LucĂlio: passar da vida mundana Ă vida da sabedoria Ă© uma ascensĂŁo! A luz distingue-se do reflexo por ter a sua origem em si mesma, enquanto o reflexo brilha com luz alheia; a mesma diferença separa os dois tipos de vida: a vida mundana tira o seu brilho de circunstâncias exteriores, e o mĂnimo obstáculo imediatamente a torna sombria; a vida do sábio, essa brilha com a sua prĂłpria luminosidade!
Textos sobre Obstáculos de Séneca
2 resultadosA Importância dos PrincĂpios
Entre os homens, alguns há que possuem naturalmente um excelente carácter e que assimilam sem necessidade de longa instrução os princĂpios tradicionais, que abraçam a via da moralidade desde o primeiro momento em que dela ouvem falar; do meio destes Ă© que surgem aqueles gĂ©nios que concitam em si toda a gama de virtudes, que produzem eles mesmos virtudes. Mas aos outros, Ă queles que tĂŞm o espĂrito embotado, obtuso ou dominado por tradições errĂłneas, a esses há que raspar a ferrugem que tĂŞm na alma. Mais ainda: se transmitirmos os preceitos básicos da filosofia aos primeiros, rapidamente eles atingirĂŁo o mais alto nĂvel, pois estĂŁo naturalmente inclinados ao bem; se o fizermos aos outros, os de natureza mais fraca, ajudá-los-emos a libertarem-se das suas convicções erradas. Por aqui podes ver como sĂŁo necessários os princĂpios básicos. Temos instintos em nĂłs que nos fazem indolentes ante certas coisas, e atrevidos perante outras; ora, nem este atrevimento nem aquela indolĂŞncia podem ser eliminados se primeiro nĂŁo removermos as respectivas causas, ou seja, a admiração infundada ou o receio infundado.
Enquanto tivermos em nĂłs esses instintos, bem poderás dizer: “estes sĂŁo os teus deveres para com teu pai, ou para com os filhos,