A Ordem pela Ordem Ă© Caricatura da Vida
A ordem Ă© o sinal e nĂŁo a causa da existĂȘncia. Da mesma maneira que o plano do poema Ă© sinal de que ele estĂĄ acabado e marca da sua perfeição. NĂŁo Ă© em nome de um plano que tu trabalhas, tu trabalhas para obter um plano. Mas aquelas criaturas dizem dos alunos: «Olhem para esta grande obra e reparem na ordem que revela. Fabriquem-me, primeiro que tudo, uma ordem, e a vossa obra serĂĄ grande». Uma obra dessas nĂŁo passarĂĄ de esqueleto sem vida e detrito de museu.
NĂŁo tropeces na tua linguagem. Se impuseres a vida, fundarĂĄs a ordem; se impuseres a ordem, imporĂĄs a morte. A ordem pela ordem Ă© caricatura da vida.
Textos sobre Ordem de Antoine de Saint-Exupéry
3 resultadosIgualdade nĂŁo Ă© Identidade
Combaterei pelo primado do Homem sobre o indivĂduo – como do universal sobre o particular. Creio que o culto do universal exalta e liga as riquezas particulares – e funda a Ășnica ordem verdadeira, que Ă© a da vida. Uma ĂĄrvore estĂĄ em ordem, apesar das raĂzes que diferem dos ramos.
Creio que o culto do particular sĂł leva Ă morte – porque funda a ordem na semelhança. Confunde a unidade do Ser com a identidade das suas partes. E devasta a catedral para alinhar pedras. Combaterei, pois, todo aquele que pretenda impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça Ă s outras raças, um pensamento aos outros pensamentos.
Creio que o primado do Homem fundamenta a Ășnica Igualdade e a Ășnica Liberdade que tĂȘm significado. Creio na Igualdade dos direitos do Homem atravĂ©s de cada indivĂduo. E creio que a Ășnica liberdade Ă© a da ascensĂŁo do homem. Igualdade nĂŁo Ă© Identidade. A Liberdade nĂŁo Ă© a exaltação do indivĂduo contra o Homem. Combaterei todo aquele que pretenda submeter a um indivĂduo – ou a uma massa de indivĂduos – a liberdade do Homem.
Creio que a minha civilização denomina «Caridade» o sacrifĂcio consentido ao Homem para que este estabeleça o seu reino.
Não hå Liberdade sem Direcção
Ă fĂĄcil estabelecer a ordem de uma sociedade na submissĂŁo de cada um dos seus componentes a regras fixas. Ă fĂĄcil moldar um homem cego que tolere, sem protestar, um mestre ou um CorĂŁo. Mas Ă© muito diferente, para libertar o homem, fazĂȘ-lo reinar sobre si prĂłprio.
Mas o que Ă© libertar? Se eu libertar, no deserto, um homem que nĂŁo sente nada, que significa a sua liberdade? NĂŁo hĂĄ liberdade a nĂŁo ser a de «alguĂ©m» que vai para algum sĂtio. Libertar este homem seria mostrar-lhe que tem sede e traçar o caminho para um poço. SĂł entĂŁo se lhe ofereceriam possibilidades que teriam significado. Libertar uma pedra nada significa se nĂŁo existir gravidade. Porque a pedra, depois de liberta, nĂŁo iria a parte nenhuma.