As Oscilações da Personalidade
Pretender que a nossa personalidade seja mĂłvel e susceptĂvel de grandes mudanças Ă©, por vezes, noção um pouco contrária Ă s idĂ©ias tradicionais atinentes Ă estabilidade do “eu”. A sua unidade foi durante muito tempo um dogma indiscutĂvel. Factos numerosos vieram provar quanto esta ideia era fictĂcia.
O nosso “eu” Ă© um total. Compõe-se da adição de inumeráveis “eu” celulares. Cada cĂ©lula concorre para a unidade de um exĂ©rcito. A homogeneidade dos milhares de indivĂduos que o compõem resulta somente de uma comunidade de acção que numerosas coisas podem destruir.
É inĂştil objectar que a personalidade dos seres parece, em geral, bastante estável. Se ela nunca varia, com efeito, Ă© porque o meio social permanece mais ou menos constante. Se subitamente esse meio se modifica, como em tempo de revolução, a personalidade de um mesmo indivĂduo poderá transformar-se por completo. Foi assim que se viram, durante o Terror, bons burgueses reputados pela sua brandura tornarem-se fanáticos sanguinários. Passada a tormenta e, por conseguinte, representando o antigo meio e o seu impĂ©rio, eles readquiriram sua personalidade pacifica. Desenvolvi, há muito tempo, essa teoria e mostrei que a vida dos personagens da Revolução era incompreensĂvel sem ela.
De que elementos se compõe o “eu”,
Textos sobre Ordinários de Gustave Le Bon
2 resultadosO PrestĂgio Ă© Sempre Enganador
Tendo a generalidade das opiniões que a educação nos inculca, unicamente a educação por base, facilmente nos habituamos a admitir, com prontidĂŁo, um conceito defendido por um personagem aureolado de prestĂgio.
Sobre os assuntos tĂ©cnicos da nossa profissĂŁo, somos capazes de formular conceitos muito seguros; mas, no tocante ao resto, nĂŁo procuramos sequer raciocinar, preferindo admitir, com os olhos fechados, as opiniões que nos sĂŁo impostas por um personagem ou um grupo dotado de prestĂgio.
De facto, quer se seja estadista, artista, escritor ou sábio, o destino depende, sobretudo, da quantidade de prestĂgio que se possui e, por conseguinte, do grau de sugestĂŁo inconsciente que se pode criar. O que determina o ĂŞxito de um homem Ă© a dominação mental que ele exerce. O completo imbecil, entretanto, alcança ĂŞxito, algumas vezes, porquanto, nĂŁo tendo consciĂŞncia da sua imbecilidade, jamais hesita em afirmar com autoridade. Ora, a afirmação enĂ©rgica e repetida possui prestĂgio. O mais vulgar dos «camelos», quando energicamente afirma a imaginária superioridade de um produto, exerce prestĂgio na multidĂŁo que o circunda.
(…) Mesmo entre sábios eminentes, o prestĂgio Ă©, muitas vezes, um dos factores mais certos de uma convicção. Para os espĂritos ordinários, ele o Ă© sempre.