Textos sobre Tragédia de José Luís Nunes Martins

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Textos de tragédia de José Luís Nunes Martins. Leia este e outros textos de José Luís Nunes Martins em Poetris.

NĂĄufragos que Navegam Tempestades

As tempestades sĂŁo sempre perĂ­odos longos. Poucas pessoas gostam de falar destes momentos em que a vida se faz fria e anoitece, preferem histĂłrias de praias divertidas Ă s das profundas tragĂ©dias de tantos naufrĂĄgios que sĂŁo, afinal, os verdadeiros pilares da nossa existĂȘncia.

Gente vazia tende a pensar em quem sofre como fraco… quando fracos sĂŁo os que evitam a qualquer custo mares revoltos, tempestades em que qualquer um se sente minĂșsculo, mas sĂł os que nĂŁo prestam o sĂŁo verdadeiramente. Para a gente de coração pequeno, qualquer dor Ă© grande. Os homens e mulheres que assumem o seu destino sabem que, mais cedo ou mais tarde, morrerĂŁo, mas hĂĄ ainda uma decisĂŁo que lhes cabe: desviver a fugir ou morrer sofrendo para diante.
Da morte saímos, para a morte caminhamos. O que por aqui sofremos pode bem ser a forma que temos de nos aproximarmos do coração da verdade.

Haverå sempre quem seja mestre de conversas e valente piloto de naus alheias, os que sabem sempre tudo, principalmente o que é (d)a vida do outro, e mais especificamente se estiver a passar um mau bocado. Logo se apressam a dizer que depois da tempestade vem a bonança,

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Preciso de Ti para Ser Eu

Ser quem sou passa por ser capaz de criar ligaçÔes ao outro, com o outro e para o outro. SĂł hĂĄ pessoas porque hĂĄ relaçÔes. A minha existĂȘncia Ă© constituĂ­da pelos caminhos que sonho, construo e percorro, ao lado de outras pessoas que, como eu, sonham, constroem e percorrem os seus caminhos. Vontades distintas, dinĂąmica comum. Seguimos, cada um pelos seus princĂ­pios, cada um para os seus fins.

O amor leva o ser do seu autor ao ser do que é amado. Amar é ser e ser é amar. Partilhar-se com o outro e com o mundo, num milagre de multiplicação em que quanto mais se då, mais se tem para dar, mais se é.

Um pequeno erro na base leva a potenciais tragédias nas conclusÔes. Hå quem parta do princípio que o amor é recíproco. Ora, essa ideia simples acaba por ser origem de enormes tragédias pessoais. O amor não é recíproco, é pessoal, nasce no mais íntimo da nossa identidade. Não é metade de nada, é um todo. Precisa do outro como fim, não como princípio.
O amor Ă© bondade generosa. É dar o bem. Dar-se. Conseguir ser fonte de amor Ă© o maior dos bens que se pode alcançar.

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